Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
(Florbela Espanca)



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